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Redução e taxação de açúcar não contribuem no combate à obesidade

Redução e taxação de açúcar não contribuem no combate à obesidade

Redução e taxação do açúcar são temas frequentemente tratados na esfera governamental, indústria e setor da saúde. O debate gira em torno da efetividade dessas ações para o controle da obesidade e outras doenças associadas ao produto. Diante da iminência do governo assinar com a indústria um plano para redução da quantidade de açúcar em alimentos processados e, ainda, gerar mais impostos sobre bebidas açucaradas, é fundamental avaliar se medidas como essas são eficazes quando se trata de enfermidades causadas por múltiplos fatores.

De acordo com o médico Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista do Instituto Dante Pazzanese, a redução ou taxação do açúcar não são decisivas. “É um fato a necessidade de reduzir o consumo de açúcar, assim como outros nutrientes em excesso. Para isso, o brasileiro precisa mudar os hábitos alimentares, o que não se dá com imediatismo. A educação nutricional é o caminho. Existe um problema na falta de conhecimento sobre escolhas conscientes e de um estilo de vida saudável como um todo, contemplando a prática de atividades físicas”, explica.

O Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina e Caribe 2016, relatório da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) lançado no início deste ano, mostra que cerca de 360 milhões de habitantes da região (58%) estão com sobrepeso e 140 milhões (23%) são obesos. No Brasil, mais de 50% estão acima do peso e aproximadamente 20% atingiram a marca da obesidade. O último VIGITEL, pesquisa do Ministério da Saúde, mostrou que os brasileiros estão consumindo mais frutas, hortaliças e legumes. Reduziram a quantidade de açúcar e o índice de obesidade e diabetes continua aumentando.

Os dados estão muito claros, assim como as conclusões. Não é viável achar que sobretaxar ou reduzir o açúcar terão impactos no longo prazo. Se o problema fosse esse, a obesidade já teria sido solucionada. São medidas superficiais e insuficientes. São necessárias boas políticas de saúde pública para munir as pessoas de informação, principalmente sobre prevenção e educação”, diz o preparador físico Marcio Atalla.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aumento de 20% no preço do açúcar já reduz o consumo dos produtos que levam maior quantidade do ingrediente e, consequentemente, os problemas como obesidade, diabetes tipo 2 e cáries. A realidade, porém, não reflete a teoria. Reino Unido, Hungria, Dinamarca e México adotaram essas medidas e alguns resultados mostram o contrário. No México, por exemplo, houve uma redução inicial no consumo de bebidas açucaradas, mas em menos de um ano a população voltou a consumi-las normalmente.

Marcio Atalla ainda pondera. “Acredito que, com a taxação, possa existir redução inicial do consumo, mas com o passar o tempo, a realidade é que as pessoas substituem os produtos por outros mais baratos e que às vezes levam até mais açúcar. E questiono: com isso, o que fica de ensinamento sobre alimentação e estilo de vida? Nada!”.

O aumento de peso está relacionado, principalmente, aos hábitos decorrentes da vida moderna, que são a má alimentação e o sedentarismo e não a um ingrediente específico. O problema é profundo e as autoridades e profissionais de saúde devem entender que ações de educação não acontecem da noite para o dia. A população hoje caminha na direção contrária de uma vida saudável e isso é muito sério”, discute Magnoni.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou recentemente o último levantamento sobre a prática de esportes e atividades físicas na população de 15 anos ou mais e mostrou que mais da metade está sedentária. “É um problema de saúde pública. Uma pessoa sedentária é considerada potencialmente doente. É hora de olhar para o estilo de vida. Na prática, isso também significa levar informação de maneira didática e fácil à população”, salienta Atalla.

O preparador físico ainda reforça os custos violentos do sedentarismo com estimativa de 68 bilhões de dólares por ano. “Mais um motivo para se repensar sobre o que é feito atualmente com foco na prevenção. Reduzir e taxar não previne absolutamente nada. Estamos falando de educar mais da metade da população de um país, é preciso planejamento”.

A pesquisa “Consumo Equilibrado: Uma nova percepção sobre o açúcar”, realizada com 1.200 pacientes do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, que nunca haviam passado por uma consulta com nutricionista, mostrou que 73% das pessoas que consomem açúcar e praticam atividade física estão com peso adequado. “O açúcar não é a causa da obesidade. É necessário o controle do consumo de uma maneira geral. Achar que esse é o problema é fechar os olhos para a saúde pública no Brasil”, diz o Dr. Daniel.



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